
Deixo estar. Deixo as coisas exatamente como estão. Se mudarem — pra melhor ou pior, tanto faz —, que se mudem por conta própria. Eu não mexo mais. Aliás, que se mudem também de lugar, de cidade, de país. Vão embora. Até porque essas coisas já não me interessam mais. E cá entre nós, não vale, nem valia tanto a pena assim. Foi-se o tempo de correr atrás. Esperei demais. Mas eu mesma sabia que era tão ruim esperar por coisas que não sabe se vai acontecer. Agora já sei: não irão acontecer — Mas então, quem sou eu pra falar da vida e do futuro, como se tivesse certeza do que falasse. A vida é cheia de surpresas, então é melhor não supor nada. Vai que ela dá uma dessas e o jogo vira. Vai saber. Se bem que por via das dúvidas, é melhor não esperar nada. É melhor se surpreender do que decepcionar. Sei disso como ninguém — Então, mas sinto informar-me que de nada adiantou tanta espera. Agonizei-me á toa. Mas bem que havia um motivo, que não só eu mesma, como todos sabem qual. Talvez no fundo, esses “não aconteceram“ de que tanto esperei e falei, de que tanto presumiu, na verdade, acontecem pra mostrar que nem tudo é como eu quero. Não adianta espernear, choramingar, prantear. Não adianta. Talvez seja por esse meu jeito manipulador e mandona, sempre acho que as coisas deveriam acontecer do meu jeito. Triste realidade: O que não é pra acontecer, não acontece. Vice-versa. Mas bem que não queria que fosse assim. Sinceramente, devo dizer que: Ia ser ótimo se certas coisas viessem na hora em que eu quero. Mas penso: Seria fácil demais — Até porque, não gosto muito das coisas que vêm fácil. É bom ás vezes sentir o gosto de uma conquista própria. Minha. Sem contar: O que vem fácil, vai fácil. Então, é melhor não mesmo. — E como mesmo a vida não é um mar de rosas, meu problema em questão, é ter que aceitar esses “não acontecimentos” como se parecessem a coisa mais fácil e ridícula do mundo. A verdade é que, aceitar as coisas que não aconteceram e que queria-se muito, é sempre um problema. Sem mais. Mas quer saber? Dane-se. Deixo estar. Não aconteceu, foda-se. Parei de me importar faz tempo. Foi melhor assim. Se bem que, é isso que se faz, quando gosta-se. Ainda bem que eu já não mais. Sei que não vem mais, e se vier, já é tarde. Finalmente, posso dizer: acabou-se o tempo de espera. E olhe que foi grande. — Laura (poeta-bip0lar)

Você nunca teve medo. Nem de me perder, nem de que eu seguisse em frente, de que eu enjoasse das tuas birras rotineiras e infantis. Você nunca arqueou a sobrancelha esquerda quando eu observava outro homem, como quando você fazia quando estava preocupado com alguma coisa pessoal. Você nunca sentiu ciúme dos meus amigos, nem de quando eu saía nas sextas-feiras sozinha. Você nunca beijou o meu pescoço e me apertou tão forte que poderia fazer com que as minhas costelas estralassem. Foi falta de cuidado, é isso? Você não se importava tanto quanto eu me importava contigo? Tanto faz. Não que agora já não faça diferença, mas é que… Já passou, não é? Nós não vamos voltar a ser como antes. E isso é exaustivo. Frustrante. Você não sabe mais nada sobre mim. Não sabe de como o meu gosto musical mudou, de que deixei minhas unhas crescerem; você não viu o meu novo corte de cabelo, meu novo sorriso, minhas novas roupas. Você não sabe de como minhas novas amizades te agradariam, da minha nova bebida favorita, ou dos filmes que eu passei a gostar. E o mais importante e relevante: Você não sabe do quanto eu ainda sinto a sua falta. De como eu não consigo mais preencher os meus buracos. De como as noites estão vazias, os dias longos. Do quanto eu me esforcei para me tornar uma pessoa melhor do que era antes, pra você perceber que melhor do que eu não se encontra em qualquer lugar por aí. Mas minhas tentativas sempre foram falhas quando se trata de você. Nada te toca fundo, nada te marca, nada te faz olhar pra trás. Nada é bom o suficiente para te prender. E esse foi o meu erro: pensar que eu poderia te fazer ficar. E foi tão inútil. Nós nunca daríamos certo, de qualquer outra forma. Você poderia ter me amado certo, ter arqueado a sobrancelha esquerda, me abraçado até que minhas costelas estralassem. Tanto faz, não daria. Eu não fui feita pra você. Eu erro, eu tropeço, eu tenho um sorriso torto. E você… é um pedaço do paraíso, droga. Você gosta de voar, e de alçar vôos altos, de nunca mais voltar. E eu sou a garota que é dona duma bagunça interna enlouquecedora. Eu impus obstáculos quando você procurava comodidade. Só não venha dizer que também não sentiu. Que não te fez falta o meu jeito atrapalhado, a minha risada que te fazia sorrir, a minha franja que nunca se ajeitou. Mas você está bem onde está, fazendo suas coisas, retomando a sua rotina, bem, pleno, sem sentir minha falta. Sem deitar na cama com os olhos fechados tentando memorizar os últimos detalhes que ficaram intactos de nós dois. Eu sei que não. Você não é um idiota como eu costumo ser. Taí, essa é a nossa diferença: Você consegue encerrar ciclos, enquanto eu me prendo neles. Tentando voltar praquilo que não deveria mais fazer diferença. Você não fica infeliz quando pensa em mim, e eu fico devastada quando lembro de você. Você não procura meu perfume em outras, dorme com outras, sorri, ri, segue em frente, me esquece… Você vive, eu sobrevivo. Germana K. (icanbeyourcocaine)